25 Nov, 2025
Edit 04
De Repente 30 - Parte I
“Trinta é a idade do sucesso.”
Foi o que eu ouvi quando criança no filme De Repente 30, uma comédia romântica estrelada pela Jennifer Garner e Mark Ruffalo, ambos no auge da beleza (minha opinião, tá?). E acreditei demais, com todas as minhas forças que de alguma forma o destino, a sociedade, o sistema - seja lá o que você acredita - me levaria para o sucesso de forma automática e eu não precisaria me preocupar com nada. Para uma criança que, de forma boa ou ruim, tem suas necessidades básicas atendidas, essa realidade seria super plausível.
Era sempre sobre isso que éramos bombardeados pelas produções americanas. Que o sucesso era garantido e que o sol nasceu pra todos.
Não tardou muito pra eu perceber, já na adolescência, que a realidade era bem mais severa e desigual. Mesmo estudando pro técnico, ensino médio, curso de línguas, Enem e estagiando (tudo ao mesmo tempo) eu não consegui muita coisa.
Terminei meu ensino médio e devido a pressões externas e muita ansiedade decidi receber uma bolsa de 100% em uma faculdade pelo Prouni. Cursei, trabalhei na área, levei rasteira e terminei na estaca zero.
Entendi que talvez eu precisasse fazer uma pós-graduação na minha área na época, que era turismo. A coordenadora do meu curso, falecida, foi a primeira a dizer que a pós não era pra qualquer um. Foi quando tive a brilhante ideia de fazer um MBA em outra universidade na área administrativa. Pra que MEU DEUS? Fiz minha matrícula na fé sem nenhum tostão no bolso e fui. Nesse meio período consegui um emprego de telemarketing (quero morrer) pra custear meu curso que era quase um salário inteiro.
Nesse período fiquei muito doente da cabeça: engordei demais, todo dia tinha cliente me chamando de lixo (a gente escuta tanto que acaba acreditando) e muitos outros assédios de pessoas e da empresa. Nessa época passei um ano ou mais com apenas uma calça e morria de vergonha de ir com ela todo santo dia pra aula.
Muito esforço pra que? Pra nada mais uma vez né? Esse joguinho de tentativa e erro tava dando ruim demais. Acabou que fui demitido, terminei o curso mas devendo e sem um diploma na mão. Que delícia, não é mesmo?
Senta aí que tem mais. Tem muitos mais traumas envolvidos, mas o foco de hoje é outro.
Andando de ônibus eu vi um cartaz de um cursinho pré vestibular - um projeto de extensão maravilhoso da faculdade de medicina da Universidade Federal do Ceará que promove uma preparação para alunos de baixa renda - chamado XII de Maio. Eu olhei e fiquei pensando se aquela poderia ser a virada de chave que estava faltando na minha vida.
Fiz a inscrição, era pago e não tinha um centavo no bolso, pedi emprestado (umas das pouquíssimas vezes na minha vida). Pra minha surpresa ainda era uma pré inscrição para fazer uma seleção. Mais uma vez fui na fé. Estudei e fui fazer a prova, era na UFC. Chegando lá eu disse que ainda ia estudar lá.
Sentei, li, respondi, calculei, respondi. Saindo de lá já não acreditava em mais nada. Eu tinha ido só com uma caneta e um sonho (o meme é real risos). Eu chorei copiosamente da faculdade até a minha casa. No mesmo dia ia sair o resultado e pra minha surpresa eu passei. Mas eu mal sabia que era apenas o prelúdio do prelúdio do tanto que eu ainda tinha que lutar e do que eu ainda ia passar.
Continua…